Hub de Enxaqueca

Tratamento e Prevenção

Como tratar a enxaqueca?

O tratamento da enxaqueca não se resume a tomar um medicamento quando a dor aparece. Dependendo da frequência, duração e impacto das crises, o tratamento pode envolver estratégias para interromper uma crise, controlar uma crise prolongada ou prevenir que novos episódios aconteçam.

Crise · Tratamento agudoCrise prolongada · Status migranosoPrevenção · Redução de novas crises

Campanha Nacional de Combate às Cefaleias · SBC / ABN

3é demais

A Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC) e a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) alertam: mais de três crises de dor de cabeça por mês, por mais de três meses, é sinal de que é hora de procurar um especialista e começar a tratar.

A enxaqueca não tem cura, mas tem tratamento — e ele funciona melhor quando começa no momento certo. Passadas três crises por mês, já existe indicação de tratamento preventivo, que reduz a frequência e a intensidade das crises e evita a progressão da doença.

  • +3 crises por mês, por mais de 3 meses → procure um neurologista sem esperar a dor virar diária.
  • Automedicação faz mal: o uso excessivo de analgésicos cronifica a dor que era apenas esporádica.
  • Hábitos contam: sono regrado, alimentação, exercício, sol, meditação e terapia cognitivo-comportamental ajudam a controlar o quadro.
Campanha 3 é demais — Combate às Cefaleias (SBC/ABN)Fonte: ABN · SBC

Os três momentos do tratamento

A estratégia muda conforme o momento da doença

Começou uma crise

Tratamento agudo

Objetivo: controlar a crise

Crise não cede e se prolonga

Status migranoso

Objetivo: interromper uma crise prolongada e avaliar fatores associados

Crises frequentes ou incapacitantes

Tratamento preventivo

Objetivo: reduzir a frequência e o impacto das próximas crises

Tratamento agudo

O que é o tratamento agudo da enxaqueca?

O tratamento agudo é aquele utilizado quando uma crise de enxaqueca começa. Seu objetivo é controlar a dor e os sintomas associados e permitir que o paciente retome suas atividades.

Dependendo da crise, também pode ser necessário controlar:

  • náuseas
  • vômitos
  • sensibilidade à luz
  • sensibilidade aos sons
  • incapacidade funcional

Existem diferentes opções para o tratamento das crises, e a escolha depende das características da enxaqueca, intensidade dos sintomas, resposta a tratamentos anteriores e condições clínicas de cada pessoa.

O tratamento agudo deve fazer parte de um plano previamente discutido com o médico.

Estratégia para as crises

Por que é importante ter uma estratégia para as crises?

Uma das situações mais comuns entre pessoas com enxaqueca é tentar diferentes medicamentos por conta própria sempre que uma crise aparece.

Isso pode resultar em:

  • tratamento inadequado
  • repetição excessiva de medicamentos
  • atraso no controle da crise
  • maior incapacidade
  • aumento do risco de uso excessivo de medicamentos para dor

Mais medicamento não significa necessariamente melhor tratamento.

O objetivo é ter uma estratégia adequada para cada perfil de crise.

Saiba mais sobre a cefaleia por uso excessivo de medicamentos e como o tratamento frequente das crises pode se tornar parte do problema.

Tratamento preventivo

O que é o tratamento preventivo da enxaqueca?

O tratamento preventivo é uma estratégia utilizada para reduzir a frequência, intensidade, duração e impacto das crises ao longo do tempo.

O objetivo não é tratar apenas o dia da dor. O objetivo é modificar a relação do paciente com a doença ao longo dos meses.

Menos dias com enxaqueca

Reduzir o número de dias com dor ao longo do tempo.

Menor intensidade e duração

Diminuir a gravidade e a duração dos episódios.

Menor necessidade de resgate

Reduzir o uso frequente de medicamentos para crises.

Recuperar dias funcionais

Devolver dias produtivos e ativos à rotina.

Reduzir o risco de cronificação

Evitar que a enxaqueca episódica se torne crônica.

Melhorar qualidade de vida

Trabalho, estudo, família e bem-estar.

Nem toda pessoa com enxaqueca precisa utilizar tratamento preventivo. A decisão depende principalmente da frequência e incapacidade provocadas pelas crises e deve ser individualizada.

Paciente segurando a testa pela manhã, representando o impacto invisível da enxaqueca entre as crises

A lacuna da prevenção

Muitos pacientes deveriam fazer prevenção — mas poucos fazem

A enxaqueca é uma das doenças neurológicas mais incapacitadas do mundo, mas existe uma grande diferença entre quem poderia se beneficiar de tratamento preventivo e quem realmente utiliza esse tipo de tratamento.

~36%

preenchiam critérios para considerar prevenção

Estudo internacional com mais de 14 mil pessoas com enxaqueca

~84,5%

dos pacientes com indicação não usavam preventivo naquele momento

Mesmo estudo internacional

65,3%

das pessoas elegíveis nunca haviam usado um preventivo para enxaqueca

Dados recentes sobre elegibilidade

Isso significa que muitas pessoas continuam tratando apenas cada crise isoladamente, mês após mês, sem discutir uma estratégia destinada a reduzir a quantidade de crises que acontecerão no futuro.

Impacto entre as crises

A enxaqueca não deve ser medida apenas pelas horas em que a cabeça dói

Uma pessoa com crises frequentes pode passar boa parte do mês alternando entre três períodos — e cada um deles consome energia, sono e produtividade.

1º período

Antes da crise

Preocupação com quando a próxima dor aparecerá.

2º período

Durante a crise

Limitada pela dor e pelos sintomas.

3º período

Depois da crise

Tentando recuperar atividades, trabalho, sono e rotina.

Quando pensar em prevenção

Quando o tratamento preventivo pode ser considerado?

O tratamento preventivo pode ser discutido quando a enxaqueca passa a interferir repetidamente na vida do paciente.

Crises frequentes

Vários episódios por mês.

Crises muito incapacitantes

Grande impacto em cada episódio.

Crises prolongadas

Duração extensa das crises.

Uso frequente de medicamentos para dor

Necessidade recorrente de resgate.

Perda de dias de trabalho ou estudo

Impacto sobre produtividade.

Resposta inadequada ao tratamento das crises

Crises não controladas adequadamente.

O número de crises é importante, mas não é o único critério.

Uma pessoa pode apresentar poucas crises por mês, mas episódios extremamente incapacitantes.

Um estudo norte-americano encontrou que pessoas consideradas elegíveis para prevenção apresentavam maior número de dias de enxaqueca, pior qualidade de vida e maior comprometimento das atividades e do trabalho.

É por isso que, em uma consulta de enxaqueca, perguntar “quantos dias por mês a enxaqueca está interferindo na sua vida?” pode ser mais revelador do que contar apenas as crises.

Preventivos tradicionais

Como funcionam os tratamentos preventivos tradicionais?

Durante muitos anos, grande parte dos medicamentos utilizados para prevenir enxaqueca foi originalmente desenvolvida para tratar outras condições.

Posteriormente, observou-se que alguns desses tratamentos também eram capazes de reduzir a frequência das crises de enxaqueca. Por isso, podemos dizer de maneira didática que muitos tratamentos preventivos tradicionais atuam de forma mais indireta sobre os mecanismos relacionados à enxaqueca.

“Indireto” não significa fraco, antigo, ineficaz ou ultrapassado. Esses tratamentos continuam sendo importantes e podem funcionar muito bem em pacientes adequadamente selecionados.

Tratamento preventivo tradicional

Medicamento

originalmente desenvolvido para outra condição

Modula diferentes mecanismos do sistema nervoso

ação mais ampla

Pode reduzir a frequência das crises

em pacientes selecionados

Tratamentos mais direcionados

O que mudou com os tratamentos modernos da enxaqueca?

O avanço do conhecimento sobre os mecanismos biológicos da enxaqueca permitiu desenvolver estratégias cada vez mais direcionadas à própria doença.

Entre elas, dois exemplos importantes são:

Esses tratamentos não devem ser apresentados como automaticamente “melhores”. São estratégias mais direcionadas a mecanismos envolvidos na enxaqueca e possuem indicações específicas.

A American Headache Society passou a considerar as terapias direcionadas ao CGRP uma opção de primeira linha para prevenção, junto às demais estratégias preventivas, sem exigir necessariamente falha prévia a outras classes.

Evolução do tratamento preventivo

Da prevenção indireta ao tratamento mais direcionado

Esquerda

Tratamentos preventivos tradicionais

Medicamentos que modulam mecanismos neurológicos de maneira mais ampla e que também podem prevenir enxaqueca.

Centro

Conhecimento da biologia da enxaqueca

Cérebro, sistema trigeminal e sinalização neurológica.

Direita

Tratamentos mais direcionados

Estratégias desenvolvidas ou estabelecidas a partir de mecanismos mais específicos relacionados à enxaqueca.

A imagem comunica evolução científica e ampliação das possibilidades terapêuticas — não “antigo é ruim, novo é bom”.

Toxina botulínica / PREEMPT

Como a toxina botulínica é utilizada na prevenção da enxaqueca?

A toxina botulínica é uma das estratégias de prevenção da enxaqueca crônica.

Sua utilização neurológica segue um protocolo científico conhecido como PREEMPT, com aplicações distribuídas em regiões específicas da cabeça e do pescoço. O objetivo não é estético. No contexto da enxaqueca, a toxina atua modulando sinais relacionados à transmissão da dor.

Quer entender como funciona o PREEMPT?

31 pontos. 7 regiões. Um protocolo desenvolvido especificamente para prevenção da enxaqueca crônica.

Conheça o Protocolo PREEMPT

Terapias anti-CGRP

O que são os anticorpos e tratamentos anti-CGRP?

O CGRP é uma molécula que participa das vias relacionadas à enxaqueca e se tornou um dos principais alvos dos tratamentos modernos da doença.

Existem terapias capazes de interferir diretamente nessa sinalização, bloqueando o próprio CGRP ou seu receptor. Isso permite uma abordagem mais direcionada a mecanismos relacionados à enxaqueca.

Via do CGRP

CGRPreceptorsinal

Bloqueio terapêutico

anti-CGRP

O que é CGRP?

Descubra como uma molécula envolvida na enxaqueca se tornou alvo de tratamentos modernos.

Conheça os tratamentos anti-CGRP

Individualização

Qual é o melhor tratamento preventivo para enxaqueca?

Não existe um único tratamento preventivo que seja o melhor para todas as pessoas com enxaqueca.

A escolha depende de:

  • frequência das crises
  • enxaqueca episódica ou crônica
  • intensidade
  • incapacidade
  • presença de aura
  • outras condições clínicas
  • tratamentos anteriores
  • tolerabilidade
  • preferência do paciente
  • características individuais

Tratar enxaqueca é individualizar.

O tratamento adequado para uma pessoa pode não ser o mais adequado para outra.

Além dos medicamentos

O tratamento da enxaqueca envolve apenas medicamentos?

Não. O tratamento da enxaqueca também envolve reconhecer fatores que podem influenciar a frequência das crises e construir hábitos que favoreçam maior estabilidade da doença.

Sono Atividade física Hidratação Alimentação regular Manejo do estresse Identificação de gatilhos individuais Diário de enxaqueca

Isso não significa que a enxaqueca seja causada simplesmente por hábitos inadequados. Trata-se de uma doença neurológica, e hábitos são apenas uma parte da estratégia de manejo.

Aprenda sobre os gatilhos da enxaqueca e como usar o diário de enxaqueca para acompanhar suas crises.

Mesa de consulta neurológica com caderno, caneta e calendário, representando o momento de conversar sobre prevenção

Não espere piorar

O maior erro pode ser esperar a enxaqueca piorar

Muitos pacientes procuram tratamento preventivo somente quando já apresentam uma quantidade muito elevada de dias com dor. Não é necessário esperar a doença chegar a esse ponto para conversar sobre prevenção.

Quanto maior a frequência das crises, maior pode ser o impacto sobre sono, trabalho, atividade física, vida social e saúde emocional.

Tratar repetidamente crises frequentes com medicamentos de resgate pode criar outro problema: uso excessivo de medicamentos para dor, situação associada à manutenção e à cronificação da cefaleia. Saiba mais sobre a cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

Por isso, uma das perguntas mais importantes em uma consulta de enxaqueca não é apenas “o que você toma quando sente dor?”, mas também:

“Quantos dias por mês a enxaqueca está interferindo na sua vida?”

Esse número pode mudar completamente a estratégia de tratamento.

Mapa do tratamento

O mapa do tratamento da enxaqueca

Paciente com enxaqueca

Crise

Tratamento agudo
Ver

Crise prolongada

Status migranoso
Ver

Crises frequentes / incapacitantes

Preventivos tradicionaisToxina botulínica / PREEMPTAnti-CGRPHábitos + acompanhamento
Ver

Ilustração original do site. O objetivo é ajudar o paciente a visualizar que a estratégia muda conforme o momento da doença.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre tratamento da enxaqueca

Perguntas e respostas

Autor e revisão médica

Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Zalli

Dr. Marcelo Zalli — neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú, SC

Dr. Marcelo Zalli

Neurologista · Itajaí e Balneário Camboriú · SC

  • Neurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326
  • Membro da Sociedade Internacional e Brasileira de Cefaléias
  • Professor titular de Neurologia — UNIVALI (por 10 anos)

Sua enxaqueca precisa apenas de tratamento para as crises ou também de prevenção?

A resposta depende da frequência, intensidade e impacto da enxaqueca sobre sua vida. Uma avaliação neurológica permite identificar o padrão das crises e construir uma estratégia individualizada.

Ecossistema Dr. Marcelo Zalli

Faz parte de um cuidado neurológico integrado

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