Educação ao paciente

Enxaqueca vestibular: tontura, vertigem e desequilíbrio

A enxaqueca vestibular causa vertigem e desequilíbrio sem necessariamente haver dor de cabeça. Saiba como é feito o diagnóstico diferencial e o tratamento.

Enxaqueca vestibular: tontura, vertigem e desequilíbrio
MZ Dr. Marcelo ZalliNeurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326
Leitura08 de agosto de 2026
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A enxaqueca vestibular é uma forma particular de enxaqueca em que vertigem, tontura e desequilíbrio são os sintomas dominantes — muitas vezes sem dor de cabeça. É uma das condições mais subdiagnosticadas e confundidas da neurologia, frequentemente tratada como labirintite refratária.

O que é enxaqueca vestibular?

A enxaqueca vestibular é uma condição neurológica em que o sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio) é afetado pelo mecanismo da enxaqueca. Ela pode ocorrer com ou sem dor de cabeça, o que torna o diagnóstico um desafio.

Acomete aproximadamente 1% da população, sendo mais comum em mulheres, com pico de incidência entre os 30 e 50 anos. É uma das causas mais frequentes de vertigem episódica em adultos.

Sintomas

A enxaqueca vestibular pode se manifestar de diversas formas:

  • Vertigem verdadeira (sensação de que o ambiente gira) ou tontura flutuante
  • Desequilíbrio e instabilidade ao caminhar
  • Intolerância ao movimento — piora com carros, ônibus ou movimento visual
  • Sensibilidade visual a luzes, padrões visuais complexos ou telas
  • Náusea e vômito durante as crises
  • Dor de cabeça pode estar presente, mas não é obrigatória
  • Fonofobia e fotofobia podem acompanhar

As crises podem durar de minutos a horas, e em alguns casos, dias. Muitos pacientes referem sensação constante de desequilíbrio entre as crises.

Por que é confundida com labirintite?

A confusão é comum porque ambos causam vertigem. Mas existem diferenças importantes:

| Característica | Enxaqueca vestibular | Labirintite | |---|---|---| | Duração | Episódica (min a dias) | Aguda, com recuperação gradual | | História familiar | Frequentemente positiva | Geralmente ausente | | Dor de cabeça associada | Pode haver | Raramente | | Recorrência | Crises recorrentes | Evento único ou episódios raros | | Tratamento | Preventivos para enxaqueca | Reabilitação vestibular, corticoide |

O diagnóstico errado de labirintite leva a tratamentos ineficazes e à persistência dos sintomas. Muitos pacientes chegam ao neurologista após anos de tratamento para labirintite sem melhora.

Diagnóstico

O diagnóstico da enxaqueca vestibular é clínico, baseado nos critérios da Bárány Society e da ICHD-3:

  • História de enxaqueca (pessoal ou familiar)
  • Pelo menos 5 episódios de vertigem/tontura com duração de 5 minutos a 72 horas
  • Sintomas vestibulares moderados a severos
  • Pelo menos metade das crises associadas a pelo menos um dos seguintes: dor de cabeça com características de enxaqueca, fotofobia, fonofobia, aura visual

Exames como videonistagmografia (VNG), audiometria e ressonância magnética podem ser solicitados para excluir outras causas de vertigem.

Tratamento

Tratamento da crise aguda

  • Triptanos podem ser eficazes para crises com dor de cabeça associada
  • Antieméticos para náusea
  • Repouso em ambiente calmo e escuro

Tratamento preventivo

O tratamento preventivo é fundamental, especialmente quando as crises são frequentes:

  • Betabloqueadores (propranolol)
  • Anticonvulsivantes (topiramato, valproato)
  • Antidepressivos (amitriptilina, venlafaxina)
  • Cinarizina ou flunarizina (antagonistas de cálcio com ação vestibular)
  • Toxina botulínica em casos crônicos e refratários
  • Anticorpos monoclonais anti-CGRP

Reabilitação vestibular

A reabilitação vestibular é uma ferramenta essencial. Trata-se de exercícios fisioterapêpicos que ajudam o cérebro a compensar o déficit vestibular, reduzindo tontura e desequilíbrio.

Gatilhos

Os gatilhos da enxaqueca vestibular são semelhantes aos de outros tipos de enxaqueca:

  • Estresse e ansiedade
  • Alterações de sono
  • Movimento e estímulos visuais complexos
  • Hormonais (ciclo menstrual)
  • Alimentares (jejum, cafeína, álcool)
  • Mudanças climáticas

Conclusão

A enxaqueca vestibular é uma condição tratável que afeta milhões de brasileiros. O diagnóstico correto muda o curso do tratamento e da vida do paciente. Se você sofre com tontura, vertigem ou desequilíbrio recorrentes — especialmente com história de enxaqueca —, procure um neurologista especializado em cefaleias. Não é necessário viver com tontura: há tratamento disponível e eficaz.

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Escrito e revisado por

Dr. Marcelo Zalli

Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326

Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas

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