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Enxaqueca menstrual: por que a dor piora no ciclo e como tratar

A enxaqueca menstrual afeta mulheres na período pré-menstrual. Entenda a relação entre estrogênio e enxaqueca, critérios diagnósticos e estratégias de tratamento profilático.

Enxaqueca menstrual: por que a dor piora no ciclo e como tratar
MZ Dr. Marcelo ZalliNeurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326
Leitura08 de agosto de 2026
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A enxaqueca menstrual é uma forma específica de enxaqueca diretamente relacionada às flutuações hormonais do ciclo feminino. Acomete milhões de mulheres brasileiras e, diferentemente da enxaqueca comum, tem momentos previsíveis de aparecimento e características que exigem uma abordagem terapêutica diferenciada.

O que é enxaqueca menstrual?

A enxaqueca menstrual ocorre em associação com a queda do estrogênio que antecede a menstruação. Define-se como enxaqueca menstrual pura quando as crises acontecem exclusivamente no período perimenstrual (de 2 dias antes a 3 dias depois do início do fluxo), em pelo menos dois de três ciclos.

Existe também a enxaqueca menstrual-relacionada, em que as crises ocorrem no período perimenstrual, mas também em outros momentos do ciclo. Esta forma é mais comum.

Por que a dor piora no ciclo?

O estrogênio tem um efeito protetor sobre o cérebro e sobre o sistema trigeminovascular, envolvido na enxaqueca. Quando os níveis de estrogênio caem abruptamente — o que acontece logo antes da menstruação —, essa proteção diminui e a vulnerabilidade à enxaqueca aumenta.

É importante destacar que a enxaqueca menstrual não é causada pela menstruação em si, mas pela variação hormonal que a antecede.

Características da enxaqueca menstrual

As crises menstruais tendem a ser:

  • Mais intensas do que as crises não menstruais
  • Mais prolongadas — podem durar dias
  • Mais resistentes ao tratamento de crise
  • Mais acompanhadas de náusea e vômito
  • Sem aura (a aura é menos comum na enxaqueca menstrual)

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e depende de um diário de cefaleia detalhado, onde a mulher registra:

  • Dias de dor de cabeça
  • Intensidade
  • Dia do ciclo menstrual
  • Uso de medicação

Com pelo menos 3 ciclos registrados, é possível identificar o padrão menstrual e confirmar o diagnóstico.

Tratamento

Tratamento da crise aguda

  • Triptanos: a primeira linha. Alguns triptanos têm eficácia comprovada especificamente para enxaqueca menstrual
  • AINEs (naproxeno, ibuprofeno) — podem ser especialmente úteis por também reduzirem a dor pélvica
  • Combinações de triptano com AINE podem ser mais eficazes

Tratamento preventivo perimenstrual (miniprofilaxia)

Para mulheres com crises previsíveis no período menstrual, a miniprofilaxia é uma estratégia excelente:

  • Naproxeno: iniciado 2 dias antes da menstruação e mantido por 5-7 dias
  • Triptanos de longa duração (frovatriptano, naratriptano): iniciados antes da menstruação
  • Suplementação de magnésio: pode ajudar na prevenção

Esta abordagem evita o uso contínuo de medicação, focando apenas no período de risco.

Tratamento preventivo contínuo

Quando as crises não se limitam ao período menstrual ou são muito frequentes:

  • Betabloqueadores (propranolol)
  • Anticonvulsivantes (topiramato)
  • Antidepressivos (amitriptilina, venlafaxina)
  • Anticorpos monoclonais anti-CGRP — especialmente úteis em mulheres com enxaqueca menstrual refratária
  • Toxina botulínica — se houver cronificação

Terapia hormonal

Em casos selecionados, pode-se considerar:

  • Anticoncepcionais combinados — podem estabilizar os níveis hormonais e reduzir crises. Evitar pílulas com pausa, que causam queda de estrogênio
  • Estrogênio transdérmico perimenstrual — para repor o estrogênio que cai antes da menstruação

Atenção: anticoncepcionais hormonais não são indicados para mulheres com aura, devido ao risco aumentado de AVC.

Enxaqueca menstrual e outros momentos hormonais

A enxaqueca hormonal não se manifesta apenas na menstruação. Outros momentos de flutuação hormonal podem desencadear crises:

  • Ovulação: algumas mulheres têm crises na ovulação
  • Gravidez: muitas melhoram, especialmente no 2º e 3º trimestres
  • Pós-parto: a queda abrupta do estrogênio após o parto pode desencadear crises
  • Perimenopausa: a instabilidade hormonal piora a enxaqueca
  • Menopausa: tende a melhorar após a menopausa natural

Conclusão

A enxaqueca menstrual é uma condição real, com causa identificável e tratamento disponível. Não é necessário aceitar que "toda menstruação tem que ser assim". Com o diário de cefaleia, identificação do padrão e estratégias como a miniprofilaxia, é possível reduzir significativamente o impacto das crises. Se você sofre com enxaqueca no período menstrual, procure um neurologista especializado em cefaleias para um plano terapêutico individualizado.

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Escrito e revisado por

Dr. Marcelo Zalli

Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326

Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas

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