Hub de Alzheimer
Dr. Marcelo Zalli presente no AAIC 2026 em Londres — Congresso Internacional da Alzheimer's Association

Alzheimer's Association International Conference

Highlights from AAIC 2026

Os principais avanços do maior congresso mundial sobre Alzheimer e demências

Londres, Reino Unido Julho de 2026 Cobertura por Dr. Marcelo Zalli

Visão clínica

O que mudou no diagnóstico e tratamento do Alzheimer

O AAIC 2026, realizado em Londres de 12–15 de julho, trouxe alguns resultados particularmente relevantes para a prática clínica em neurologia.

Estar presente no congresso significa acompanhar em primeira mão os avanços que vão orientar o cuidado aos pacientes nas próximas décadas. A seguir, um resumo dos principais destaques, traduzidos para a linguagem da clínica neurologia.

01

Biomarcadores

p-tau217 no sangue: o maior destaque

Em quase 2.700 idosos cognitivamente normais, níveis muito elevados de p-tau217 foram associados a 78% de risco estimado de comprometimento cognitivo em 10 anos e ~38% em 5 anos. O biomarcador acrescentou informação prognóstica além de PET amiloide e genética.

Estamos caminhando de "O paciente tem Alzheimer?" para "Qual é o risco de desenvolver comprometimento cognitivo nos próximos anos?". Atenção: ainda não há indicação de rastrear assintomáticos rotineiramente — a Alzheimer's Association ressalta que o uso clínico atual de biomarcadores sanguíneos é voltado principalmente a pessoas que já apresentam sintomas cognitivos.

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02

Acesso

Biomarcador aproxima atenção primária da neurologia

Estudo com mais de 1.300 pacientes e 165 médicos na Suécia. Antes do biomarcador: atenção primária 65% de acurácia, especialistas 76%. Após o resultado do teste sanguíneo: atenção primária 93%, especialistas 94%. O biomarcador praticamente eliminou a diferença diagnóstica entre os níveis de cuidado.

O caminho provavelmente será: Queixa cognitiva → avaliação clínica → biomarcador sanguíneo → confirmação/estratificação → tratamento, em vez de neurologista + RM + PET/LCR em praticamente todos os casos.

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03

Diagnóstico biológico

Alzheimer entra definitivamente na era do diagnóstico biológico

O AAIC 2026 reforçou uma mudança conceitual: Alzheimer não é mais apenas uma síndrome clínica. Trabalhamos cada vez mais com amiloide + tau + neurodegeneração + quadro clínico, identificando a doença antes da demência — quando os tratamentos modificadores têm maior potencial.

Os tratamentos modificadoras de doença têm maior potencial quando utilizados mais precocemente, o que reforça a importância do diagnóstico biológico antes dos sintomas clínicos.

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04

Tratamento

A discussão mudou de "se tratar" para "quando tratar"

Os dados reforçam que quanto mais cedo identificarmos a doença biologicamente, maior a oportunidade terapêutica. Especialmente importante no contexto de lecanemabe e donanemabe, cujo benefício clínico é modesto em termos absolutos, mas a estratégia está cada vez mais direcionada a fases iniciais.

O grande desafio atual: como encontrar o paciente suficientemente cedo, com biomarcadores confiáveis e risco aceitável? É justamente aí que o p-tau217 ganha importância.

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05

América Latina

LatAm-FINGERS: notícia especialmente importante para o Brasil

Estudo com mais de 1.000 pessoas em 11 países latino-americanos, incluindo o Brasil. A intervenção combinou atividade física, alimentação, treinamento cognitivo, controle de fatores cardiovasculares, interação social e acompanhamento estruturado. Resultado: 55% maior melhora global de memória, raciocínio e função cognitiva vs. abordagem autoguiada.

Não foi simplesmente "faça exercício e coma melhor". Foi intervenção multidomínio + acompanhamento + estrutura + adesão + suporte social — muito mais interessante clinicamente.

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06

Pesquisa emergente

GLP-1 + prevenção de Alzheimer

O AAIC anunciou o PROTECT-Cog, estudo de ~US$ 100 milhões que avaliará combinação de intervenção multidomínio de estilo de vida com medicamentos metabólicos (agonistas de GLP-1) para reduzir risco de declínio cognitivo, MCI e demência.

Ainda não é evidência para prescrever GLP-1 para prevenir Alzheimer. Mas mostra uma mudança importante: metabolismo, inflamação, vascularização, resistência insulínica e neurodegeneração são tratados como componentes interligados do risco de demência.

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07

Cuidados paliativos

THC + CBD para agitação na demência: resultado surpreendente

Estudo LiBBY (fase 2), com 120 pacientes com demência avançada e agitação importante. Na semana 12: 87,2% dos tratados apresentaram melhora global vs. 23,6% com placebo. Porém, eventos adversos graves foram numericamente mais frequentes no grupo tratado.

⚠️ Isso não significa que devemos prescrever cannabis/THC/CBD para pacientes com Alzheimer atualmente. Foi uma formulação experimental, em população muito específica, dentro de ensaio clínico.

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08

Neurociência do esporte

Futebol e cérebro: traumas cranianos repetitivos

Estudos encontraram alterações relacionadas à saúde cerebral em ex-jogadores profissionais de futebol, além de associações entre maior exposição a cabeceios e marcadores de lesão neural, tau e risco de CTE (encefalopatia traumática crônica).

Provavelmente terá impacto crescente na discussão sobre concussão + trauma repetitivo + tau + neurodegeneração.

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Resumo

O AAIC 2026 em 5 mensagens

TemaO que mudou
🩸 p-tau217Sai de biomarcador promissor para ferramenta potencialmente diagnóstica e prognóstica
🧠 DiagnósticoAlzheimer cada vez mais definido biologicamente
💊 TratamentoA importância de tratar muito cedo ganha força
🏃 PrevençãoIntervenção multidomínio estruturada demonstra benefício cognitivo também na América Latina
🧬 FuturoBiomarcadores + prevenção + terapias modificadoras + medicina personalizada

A mensagem ainda maior:

O futuro da neurologia cognitiva provavelmente será baseado em detectar Alzheimer antes da demência. O p-tau217 pode acabar desempenhando um papel semelhante ao que LDL, HbA1c e pressão arterial desempenham em outras áreas da medicina: não apenas diagnosticar doença, mas ajudar a estimar risco futuro. Só que ainda estamos na fase de validação e implementação clínica — especialmente para pessoas assintomáticas.

Reflexão clínica

"A participação no AAIC 2026 reforça um compromisso central da minha prática: oferecer aos pacientes o que existe de mais atual em neurologia cognitiva. Os avanços em biomarcadores e terapias modificadoras não são apenas notícias acadêmicas — são ferramentas que, bem aplicadas, podem mudar o curso da doença e a qualidade de vida de quem confia no nosso cuidado."

— Dr. Marcelo Zalli, Neurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326

3 assuntos para acompanhar de perto

Para você, como neurologista, eu destacaria principalmente 3 assuntos para acompanhar de perto:

  • p-tau217 plasmático — do diagnóstico ao prognóstico
  • Novos critérios e uso clínico de biomarcadores sanguíneos
  • Estratégias de tratamento antiamiloide cada vez mais precoces

Baseado na referência: Alz.org (Alzheimer's Association) — Alzheimer's Association International Conference (AAIC) 2026.

Dúvidas sobre os avanços em Alzheimer?

Agende uma avaliação com o Dr. Marcelo Zalli e entenda como as novidades do AAIC 2026 podem se aplicar ao seu caso ou ao de um familiar.

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