Educação ao paciente

Anticorpos monoclonais anti-CGRP: uma nova era na prevenção da enxaqueca

Os anticorpos monoclonais anti-CGRP representam uma nova era na prevenção da enxaqueca. Entenda o que é o CGRP, como funcionam, por que não são vacinas e quando podem ser indicados. Dr. Marcelo Zalli — neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú, SC.

Anticorpos monoclonais anti-CGRP: uma nova era na prevenção da enxaqueca
MZ Dr. Marcelo ZalliNeurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326
7 min de leitura08 de agosto de 2026
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Durante décadas, a prevenção da enxaqueca dependeu principalmente de medicamentos originalmente desenvolvidos para outras condições.

Esses tratamentos continuam tendo papel importante e podem funcionar muito bem. Entretanto, o avanço da compreensão da biologia da enxaqueca permitiu algo diferente: desenvolver terapias direcionadas especificamente a mecanismos envolvidos na doença.

Um dos maiores exemplos dessa transformação foi a descoberta do papel do CGRP — peptídeo relacionado ao gene da calcitonina.

O que é CGRP?

O CGRP é uma molécula produzida pelo sistema nervoso e envolvida em vias importantes relacionadas à enxaqueca.

Durante as últimas décadas, estudos demonstraram uma relação consistente entre a sinalização do CGRP e os mecanismos da crise migranosa.

Isso abriu uma nova possibilidade: em vez de apenas modular vários sistemas do cérebro de maneira mais ampla, seria possível interferir diretamente em uma das vias biológicas importantes da enxaqueca.

Foi daí que surgiram os anticorpos monoclonais direcionados ao CGRP ou ao seu receptor.

Como funcionam os anticorpos anti-CGRP?

Imagine a seguinte sequência:

CGRP → receptor do CGRP → sinalização relacionada à enxaqueca.

Os anticorpos monoclonais podem atuar em diferentes pontos dessa sequência.

Alguns reconhecem o próprio CGRP, reduzindo sua capacidade de interagir com o receptor.

Outros atuam sobre o receptor do CGRP.

Em ambos os casos, o objetivo é modular uma via relacionada à fisiopatologia da enxaqueca.

Anticorpo monoclonal é uma vacina?

Não.

Esse é um erro de linguagem que ainda aparece com frequência. Os anticorpos monoclonais anti-CGRP não são vacinas contra enxaqueca.

Vacinas treinam o sistema imunológico para produzir uma resposta imune contra determinado alvo. Os anticorpos monoclonais utilizados na enxaqueca são medicamentos biológicos produzidos para reconhecer alvos específicos relacionados à via do CGRP.

Portanto: anti-CGRP não é vacina para enxaqueca.

Por que esses tratamentos representam uma mudança importante?

Porque foram desenvolvidos a partir de mecanismos diretamente relacionados à própria enxaqueca.

A American Headache Society publicou em 2024 uma atualização de posicionamento considerando as terapias direcionadas ao CGRP uma opção de primeira linha para prevenção da enxaqueca, juntamente com outras opções preventivas, sem necessidade obrigatória de falha prévia a classes mais antigas.

Isso representa uma mudança importante na maneira como pensamos prevenção. O tratamento moderno não precisa necessariamente ser reservado apenas para o final de uma longa sequência de tentativas.

A escolha deve considerar o perfil clínico de cada paciente.

Anti-CGRP é melhor para todo mundo?

Não.

"Mais novo" não significa automaticamente "melhor para todas as pessoas".

Existem pacientes que respondem muito bem a estratégias preventivas tradicionais. Outros podem apresentar indicação para tratamentos direcionados ao CGRP. E pacientes com enxaqueca crônica também podem ser candidatos, dependendo do caso, à toxina botulínica pelo Protocolo PREEMPT.

O tratamento precisa considerar frequência, incapacidade, doenças associadas, tratamentos anteriores, tolerabilidade, preferência do paciente e disponibilidade.

Como saber se o tratamento preventivo está funcionando?

Não devemos avaliar apenas se "a dor sumiu". É possível acompanhar:

  • dias de enxaqueca por mês
  • dias de cefaleia
  • intensidade
  • duração
  • uso de medicação de resgate
  • dias perdidos
  • capacidade de trabalhar
  • atividade física
  • vida familiar e social

Por isso, um diário de enxaqueca pode ser uma das ferramentas mais úteis durante a prevenção.

O objetivo não é necessariamente produzir zero crises. O objetivo é devolver dias e qualidade de vida ao paciente.

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  • Os Vilões da Enxaqueca — Material educativo sobre a enxaqueca e seus principais vilões, do Dr.

Escrito e revisado por

Dr. Marcelo Zalli

Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326

Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas

Material educativo de auxílio a pacientes e familiares
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