Enxaqueca sem aura: a forma mais comum da doença
A enxaqueca sem aura é o tipo mais frequente, com dor pulsátil, fotofobia e náusea. Conheça os critérios diagnósticos, gatilhos e opções de tratamento com o neurologista Dr. Marcelo Zalli.

A enxaqueca sem aura é a forma mais comum de enxaqueca, representando aproximadamente 75% a 80% dos casos. Apesar de ser menos conhecida pelo público do que a enxaqueca com aura, é igualmente incapacitante e merece atenção médica especializada.
O que é enxaqueca sem aura?
Caracteriza-se por crises de dor de cabeça que ocorrem sem os sintomas neurológicos precedentes (aura) que algumas pessoas experimentam antes da dor. A dor costuma ser pulsátil, de intensidade moderada a severa, e frequentemente acomete apenas um lado da cabeça.
Critérios diagnósticos
Segundo a Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3), o diagnóstico de enxaqueca sem aura exige:
- Pelo menos cinco crises preenchendo os critérios abaixo
- Crises com duração de 4 a 72 horas (sem tratamento ou com tratamento malsucedido)
- Dor com pelo menos duas destas características: localização unilateral, pulsatilidade, intensidade moderada ou severa, piora com atividade física rotineira
- Durante a crise, pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômito, fotofobia e fonofobia
- Não atribuída a outro distúrbio
Sintomas característicos
A enxaqueca sem aura se manifesta tipicamente com:
- Dor pulsátil ou latejante, geralmente de um lado da cabeça, mas que pode alternar entre crises
- Fotofobia: sensibilidade exacerbada à luz
- Fonofobia: sensibilidade ao som
- Náusea e vômito que podem acompanhar a crise
- Piora com a atividade física — subir escadas, caminhar ou realizar esforços agrava a dor
- Ausência de aura: não há sintomas visuais, sensitivos ou da fala que antecedam a dor
Fases da crise
Mesmo sem aura, a crise pode apresentar fases distintas:
- Pródromo: horas ou dias antes da dor, o paciente pode sentir irritabilidade, bocejos, desejo por certos alimentos ou fadiga
- Crise dolorosa: a fase principal, com dor pulsátil e sintomas associados
- Pós-dromo: após a dor, pode haver sensação de ressaca, fadiga e dificuldade de concentração — às vezes chamada de brain fog da enxaqueca
Gatilhos mais comuns
Diversos fatores podem desencadear crises:
- Hormonais: flutuações de estrogênio, como no período menstrual
- Alimentares: jejum prolongado, álcool (especialmente vinho tinto), excesso ou retirada abrupta de cafeína
- Sono: falta ou excesso de sono, alterações de rotina
- Estresse: períodos de tensão ou até mesmo o relaxamento após estresse
- Ambientais: mudanças climáticas, luz intensa ou piscante, cheiros fortes
- Físicos: esforço físico intenso
Tratamento
Tratamento da crise aguda
- Analgésicos comuns (paracetamol, AINEs como ibuprofeno e naproxeno)
- Triptanos — medicamentos específicos para enxaqueca que atuam nos receptores de serotonina
- Antieméticos, em casos com náusea importante
Tratamento preventivo
Quando as crises são frequentes (mais de 4 dias por mês), incapacitantes ou não respondem bem ao tratamento de crise, indica-se prevenção:
- Betabloqueadores (propranolol, metoprolol)
- Anticonvulsivantes (topiramato, valproato)
- Antidepressivos (amitriptilina, venlafaxina)
- Toxina botulínica — para enxaqueca crônica
- Anticorpos monoclonais anti-CGRP — para casos refratários
Quando procurar um neurologista
Se você apresenta dores de cabeça recorrentes que se enquadram nos critérios acima, é fundamental buscar avaliação com um neurologista. O diagnóstico correto é o primeiro passo para um tratamento eficaz e para evitar a cronificação da doença.
Procure atendimento imediato se a dor for a pior de sua vida, surgir subitamente (dor em trovão), vier acompanhada de febre, rigidez no pescoço, confusão ou perda de consciência.
Conclusão
A enxaqueca sem aura é uma condição neurológica real, com impacto significativo na qualidade de vida. Com diagnóstico correto e tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes consegue controlar as crises e retomar suas atividades. Não aceite viver com dor — busque ajuda especializada.
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Escrito e revisado por
Dr. Marcelo Zalli
Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326
Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas
Agende consulta com o Dr. Marcelo Zalli, neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú — SC ou conheça mais o Dr. Marcelo Zalli, neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú.
Consultório em Balneário Camboriú (Menara Medical Center — Ariribá) e em Itajaí (Petrus Centro Médico — Centro), no litoral de Santa Catarina.
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