Educação ao paciente

Enxaqueca sem aura: a forma mais comum da doença

A enxaqueca sem aura é o tipo mais frequente, com dor pulsátil, fotofobia e náusea. Conheça os critérios diagnósticos, gatilhos e opções de tratamento com o neurologista Dr. Marcelo Zalli.

Enxaqueca sem aura: a forma mais comum da doença
MZ Dr. Marcelo ZalliNeurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326
8 min de leitura28 de agosto de 2026
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A enxaqueca sem aura é a forma mais comum de enxaqueca, representando aproximadamente 75% a 80% dos casos. Apesar de ser menos conhecida pelo público do que a enxaqueca com aura, é igualmente incapacitante e merece atenção médica especializada.

O que é enxaqueca sem aura?

Caracteriza-se por crises de dor de cabeça que ocorrem sem os sintomas neurológicos precedentes (aura) que algumas pessoas experimentam antes da dor. A dor costuma ser pulsátil, de intensidade moderada a severa, e frequentemente acomete apenas um lado da cabeça.

Critérios diagnósticos

Segundo a Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3), o diagnóstico de enxaqueca sem aura exige:

  • Pelo menos cinco crises preenchendo os critérios abaixo
  • Crises com duração de 4 a 72 horas (sem tratamento ou com tratamento malsucedido)
  • Dor com pelo menos duas destas características: localização unilateral, pulsatilidade, intensidade moderada ou severa, piora com atividade física rotineira
  • Durante a crise, pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômito, fotofobia e fonofobia
  • Não atribuída a outro distúrbio

Sintomas característicos

A enxaqueca sem aura se manifesta tipicamente com:

  • Dor pulsátil ou latejante, geralmente de um lado da cabeça, mas que pode alternar entre crises
  • Fotofobia: sensibilidade exacerbada à luz
  • Fonofobia: sensibilidade ao som
  • Náusea e vômito que podem acompanhar a crise
  • Piora com a atividade física — subir escadas, caminhar ou realizar esforços agrava a dor
  • Ausência de aura: não há sintomas visuais, sensitivos ou da fala que antecedam a dor

Fases da crise

Mesmo sem aura, a crise pode apresentar fases distintas:

  1. Pródromo: horas ou dias antes da dor, o paciente pode sentir irritabilidade, bocejos, desejo por certos alimentos ou fadiga
  2. Crise dolorosa: a fase principal, com dor pulsátil e sintomas associados
  3. Pós-dromo: após a dor, pode haver sensação de ressaca, fadiga e dificuldade de concentração — às vezes chamada de brain fog da enxaqueca

Gatilhos mais comuns

Diversos fatores podem desencadear crises:

  • Hormonais: flutuações de estrogênio, como no período menstrual
  • Alimentares: jejum prolongado, álcool (especialmente vinho tinto), excesso ou retirada abrupta de cafeína
  • Sono: falta ou excesso de sono, alterações de rotina
  • Estresse: períodos de tensão ou até mesmo o relaxamento após estresse
  • Ambientais: mudanças climáticas, luz intensa ou piscante, cheiros fortes
  • Físicos: esforço físico intenso

Tratamento

Tratamento da crise aguda

  • Analgésicos comuns (paracetamol, AINEs como ibuprofeno e naproxeno)
  • Triptanos — medicamentos específicos para enxaqueca que atuam nos receptores de serotonina
  • Antieméticos, em casos com náusea importante

Tratamento preventivo

Quando as crises são frequentes (mais de 4 dias por mês), incapacitantes ou não respondem bem ao tratamento de crise, indica-se prevenção:

  • Betabloqueadores (propranolol, metoprolol)
  • Anticonvulsivantes (topiramato, valproato)
  • Antidepressivos (amitriptilina, venlafaxina)
  • Toxina botulínica — para enxaqueca crônica
  • Anticorpos monoclonais anti-CGRP — para casos refratários

Quando procurar um neurologista

Se você apresenta dores de cabeça recorrentes que se enquadram nos critérios acima, é fundamental buscar avaliação com um neurologista. O diagnóstico correto é o primeiro passo para um tratamento eficaz e para evitar a cronificação da doença.

Procure atendimento imediato se a dor for a pior de sua vida, surgir subitamente (dor em trovão), vier acompanhada de febre, rigidez no pescoço, confusão ou perda de consciência.

Conclusão

A enxaqueca sem aura é uma condição neurológica real, com impacto significativo na qualidade de vida. Com diagnóstico correto e tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes consegue controlar as crises e retomar suas atividades. Não aceite viver com dor — busque ajuda especializada.

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Escrito e revisado por

Dr. Marcelo Zalli

Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326

Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas

Material educativo de auxílio a pacientes e familiares
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