O cuidador do paciente com demência de Alzheimer também precisa de cuidado
O cuidador do paciente com Alzheimer também precisa de cuidado. Entenda a importância de cuidar da saúde física e emocional, dividir a carga, não abandonar a própria vida e pedir ajuda antes de chegar ao limite.

Quando falamos sobre Alzheimer, quase sempre pensamos no paciente.
Mas existe uma outra pessoa que também precisa ser cuidada: o cuidador.
Cuidar de alguém com demência pode exigir muito física e emocionalmente. São consultas, medicamentos, alimentação, higiene, mudanças de comportamento, noites mal dormidas, preocupações e decisões constantes. E, aos poucos, o cuidador pode começar a viver apenas em função do outro.
E isso não é saudável.
Eu sempre digo às famílias: para cuidar bem, você também precisa estar bem.
CUIDE DA SUA SAÚDE FÍSICA
O cuidador precisa manter suas consultas médicas, exames, alimentação adequada, sono e, principalmente, atividade física regular, respeitando suas próprias condições de saúde.
Caminhar, fazer musculação, pilates, natação ou outra atividade que seja prazerosa pode ajudar a reduzir estresse, melhorar o sono e preservar a saúde física e mental.
Não pense:
“Eu não tenho tempo para fazer exercício.”
Tente pensar:
“Se eu adoecer, quem vai cuidar dele?”
Cuidar da própria saúde não é egoísmo. É parte do cuidado com o paciente.

CUIDE DA SUA SAÚDE EMOCIONAL
O cuidador pode sentir tristeza, culpa, irritação, ansiedade, impotência e até raiva. E sentir isso não significa que ele ame menos o paciente.
Significa que ele também está vivendo uma situação difícil.
O acompanhamento com um psicólogo pode ser extremamente importante. Ter um espaço para falar sem julgamento, organizar os sentimentos, aprender estratégias para lidar com situações difíceis e compreender os próprios limites pode fazer uma diferença enorme.
Não espere chegar ao limite para procurar ajuda.
MEDITAÇÃO E MOMENTOS DE PAUSA
Não precisamos imaginar que meditação significa passar uma hora sentado em silêncio.
Às vezes, são cinco ou dez minutos de respiração consciente, uma caminhada tranquila, ouvir uma música, sentar ao sol ou simplesmente ficar alguns minutos sem realizar nenhuma tarefa.
Esses pequenos momentos de pausa ajudam o cuidador a sair do estado permanente de alerta.
Você não precisa estar disponível emocionalmente durante 24 horas por dia.
DIVIDA A CARGA
Essa talvez seja uma das estratégias mais importantes.
Não concentre todo o cuidado em uma única pessoa.
Divida as tarefas entre filhos, irmãos, cônjuges e outros familiares sempre que possível.
- Um pode acompanhar as consultas.
- Outro pode cuidar das compras.
- Outro pode ajudar financeiramente.
- Outro pode ficar algumas horas com o paciente.
- Outro pode assumir tarefas administrativas.
E, quando a família tiver condições, considere também profissionais de apoio, como cuidadores, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais da equipe interdisciplinar.
Dividir tarefas não significa dividir o amor. Significa dividir o peso.
E DIVIDA TAMBÉM A CARGA EMOCIONAL
Não é apenas o trabalho físico que precisa ser compartilhado.
O cuidador precisa ter alguém com quem possa dizer:
- “Hoje eu estou cansado.”
- “Hoje eu não estou bem.”
- “Hoje eu não sei o que fazer.”
Não guarde tudo sozinho.
Converse com familiares, amigos, grupos de apoio ou profissionais que acompanham o paciente.
Às vezes, o cuidador não precisa de uma solução naquele momento. Precisa apenas ser ouvido.
NÃO ABANDONE A SUA VIDA
Continue encontrando amigos.
Continue fazendo atividades que gosta.
Continue comemorando datas importantes.
Continue cuidando do relacionamento, da família, do trabalho e dos seus projetos quando possível.
O Alzheimer entrou na família, mas não precisa ocupar todos os espaços da sua vida.
Você continua sendo filho, filha, marido, esposa, amigo, profissional, pessoa.
E precisa continuar sendo você.
UMA MENSAGEM QUE EU GOSTARIA DE DEIXAR AO CUIDADOR
Se você está cuidando de alguém com Alzheimer, eu quero que você saiba: você não precisa ser perfeito.
Você vai se cansar.
Vai se irritar.
Vai ter dias em que vai achar que não consegue mais.
Isso não faz de você um cuidador ruim.
Faz de você humano.
Peça ajuda antes de chegar ao limite.
Divida as responsabilidades.
Cuide do seu corpo.
Cuide da sua mente.
Faça exercício.
Procure acompanhamento psicológico quando sentir necessidade.
Reserve alguns minutos para respirar e descansar.
E permita que outras pessoas também cuidem de você.
Porque existe uma verdade que não podemos esquecer: cuidar do cuidador também é cuidar do paciente.
E ninguém precisa atravessar a doença de Alzheimer sozinho.
Dr. Marcelo Zalli — Médico Neurologista
IMPORTANTE
As orientações deste artigo têm caráter educativo e não substituem avaliação médica, psicológica ou de outros profissionais de saúde. Cada situação é individual e deve ser acompanhada pela equipe responsável pelo cuidado do paciente e do cuidador.
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Escrito e revisado por
Dr. Marcelo Zalli
Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326
Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas
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Consultório em Balneário Camboriú (Menara Medical Center — Ariribá) e em Itajaí (Petrus Centro Médico — Centro), no litoral de Santa Catarina.
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