Doença de Alzheimer: o panorama atual do tratamento
O tratamento do Alzheimer evoluiu. Hoje combinam-se terapias modificadoras da doença com medicamentos sintomáticos, num plano individualizado para cada paciente.

O tratamento da doença de Alzheimer evoluiu significativamente. Hoje combinam-se terapias que visam modificar o curso da doença — removendo placas de beta-amiloide — com medicamentos sintomáticos consolidados, num plano individualizado para cada paciente.
Como o Alzheimer afeta o cérebro
Na doença de Alzheimer, o acúmulo de beta-amiloide forma placas tóxicas entre os neurônios, enquanto a proteína tau se agrega internamente, formando emaranhados. A nova geração de tratamentos — os anticorpos monoclonais como lecanemab e donanemab — atua justamente removendo essas placas, desacelerando o declínio cognitivo em pacientes em estágio inicial. A detecção precoce por biomarcadores é o que permite identificar quem pode se beneficiar dessas terapias.
Terapias anti-amiloide: lecanemab e donanemab
O lecanemab (Leqembi) e o donanemab são anticorpos monoclonais que atuam removendo as placas de beta-amiloide acumuladas no cérebro — um dos principais marcos biológicos da doença de Alzheimer. Estudos clínicos demonstraram redução significativa da carga de amiloide e desaceleração do declínio cognitivo em pacientes com doença em estágio inicial.
Essas terapias representam uma mudança de paradigma: pela primeira vez, tratamentos modificadores da doença estão disponíveis, desde que aplicados em pacientes selecionados por meio de biomarcadores (PET de amiloide ou líquor cefalorraquidiano).
Inibidores da colinesterase
Donepezila, rivastigmina e galantamina são medicamentos que aumentam a disponibilidade de acetilcolina no cérebro, neurotransmissor essencial para a memória e o aprendizado. São indicados principalmente para doença de Alzheimer leve a moderada.
Embora não interrompam a progressão da doença, podem estabilizar ou melhorar temporariamente os sintomas cognitivos e funcionais, proporcionando qualidade de vida por um período prolongado.
Memantina
A memantina atua bloqueando os receptores NMDA de forma a reduzir a excitotoxicidade causada pelo excesso de glutamato — outro mecanismo de lesão neuronal presente na doença de Alzheimer. É indicada principalmente em estágios moderados a avançados.
Frequentemente combinada aos inibidores da colinesterase, a memantina pode reduzir a velocidade de declínio funcional e ajudar no controle de sintomas comportamentais.
Manejo dos sintomas não-cognitivos
Sintomas comportamentais e psicológicos — como agitação, depressão, ansiedade e distúrbios de sono — são parte frequente da evolução da doença. O tratamento envolve abordagem farmacológica dirigida, sempre que possível associada a estratégias não-medicamentosas.
A individualização do tratamento é fundamental: cada paciente apresenta um conjunto único de necessidades que deve ser reavaliado periodicamente pelo neurologista.
Considerações finais
Embora ainda não exista cura para a doença de Alzheimer, a combinação de terapias modificadoras da doença com medicamentos sintomáticos e suporte multidisciplinar pode preservar a cognição, a autonomia e a qualidade de vida por mais tempo. A avaliação por um neurologista com experiência em distúrbios cognitivos é fundamental para definir o plano terapêutico mais adequado a cada paciente.
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Escrito e revisado por
Dr. Marcelo Zalli
Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326
Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas
Agende consulta com o Dr. Marcelo Zalli, neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú — SC ou conheça mais o Dr. Marcelo Zalli, neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú.
Consultório em Balneário Camboriú (Menara Medical Center — Ariribá) e em Itajaí (Petrus Centro Médico — Centro), no litoral de Santa Catarina.
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