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Doença de Alzheimer: o panorama atual do tratamento

O tratamento do Alzheimer evoluiu. Hoje combinam-se terapias modificadoras da doença com medicamentos sintomáticos, num plano individualizado para cada paciente.

Doença de Alzheimer: o panorama atual do tratamento
MZ Dr. Marcelo ZalliNeurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326
8 min de leitura12 de agosto de 2026
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O tratamento da doença de Alzheimer evoluiu significativamente. Hoje combinam-se terapias que visam modificar o curso da doença — removendo placas de beta-amiloide — com medicamentos sintomáticos consolidados, num plano individualizado para cada paciente.

Como o Alzheimer afeta o cérebro

Na doença de Alzheimer, o acúmulo de beta-amiloide forma placas tóxicas entre os neurônios, enquanto a proteína tau se agrega internamente, formando emaranhados. A nova geração de tratamentos — os anticorpos monoclonais como lecanemab e donanemab — atua justamente removendo essas placas, desacelerando o declínio cognitivo em pacientes em estágio inicial. A detecção precoce por biomarcadores é o que permite identificar quem pode se beneficiar dessas terapias.

Terapias anti-amiloide: lecanemab e donanemab

O lecanemab (Leqembi) e o donanemab são anticorpos monoclonais que atuam removendo as placas de beta-amiloide acumuladas no cérebro — um dos principais marcos biológicos da doença de Alzheimer. Estudos clínicos demonstraram redução significativa da carga de amiloide e desaceleração do declínio cognitivo em pacientes com doença em estágio inicial.

Essas terapias representam uma mudança de paradigma: pela primeira vez, tratamentos modificadores da doença estão disponíveis, desde que aplicados em pacientes selecionados por meio de biomarcadores (PET de amiloide ou líquor cefalorraquidiano).

Inibidores da colinesterase

Donepezila, rivastigmina e galantamina são medicamentos que aumentam a disponibilidade de acetilcolina no cérebro, neurotransmissor essencial para a memória e o aprendizado. São indicados principalmente para doença de Alzheimer leve a moderada.

Embora não interrompam a progressão da doença, podem estabilizar ou melhorar temporariamente os sintomas cognitivos e funcionais, proporcionando qualidade de vida por um período prolongado.

Memantina

A memantina atua bloqueando os receptores NMDA de forma a reduzir a excitotoxicidade causada pelo excesso de glutamato — outro mecanismo de lesão neuronal presente na doença de Alzheimer. É indicada principalmente em estágios moderados a avançados.

Frequentemente combinada aos inibidores da colinesterase, a memantina pode reduzir a velocidade de declínio funcional e ajudar no controle de sintomas comportamentais.

Manejo dos sintomas não-cognitivos

Sintomas comportamentais e psicológicos — como agitação, depressão, ansiedade e distúrbios de sono — são parte frequente da evolução da doença. O tratamento envolve abordagem farmacológica dirigida, sempre que possível associada a estratégias não-medicamentosas.

A individualização do tratamento é fundamental: cada paciente apresenta um conjunto único de necessidades que deve ser reavaliado periodicamente pelo neurologista.

Considerações finais

Embora ainda não exista cura para a doença de Alzheimer, a combinação de terapias modificadoras da doença com medicamentos sintomáticos e suporte multidisciplinar pode preservar a cognição, a autonomia e a qualidade de vida por mais tempo. A avaliação por um neurologista com experiência em distúrbios cognitivos é fundamental para definir o plano terapêutico mais adequado a cada paciente.

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  • As Histórias que a Memória Não Apaga — Contos sobre Alzheimer, memória, amor e os vínculos que permanecem.
  • Memory City — A técnica de memorização do Dr. Marcelo Zalli

Escrito e revisado por

Dr. Marcelo Zalli

Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326

Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas

Material educativo de auxílio a pacientes e familiares
Neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú — Santa Catarina

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