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Pesquisa publicada pela USP: o impacto das demências no Brasil

Pesquisa do Dr. Marcelo Zalli — estudo publicado pela Revista de Medicina da USP analisa internações e gastos por demências no SUS e reforça a importância do diagnóstico precoce do Alzheimer e das demências. Leia o artigo completo.

MZ Dr. Marcelo ZalliNeurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326
6 min de leitura07 de agosto de 2026
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Nos últimos anos, o envelhecimento populacional no Brasil tornou-se um dos maiores desafios da saúde pública. Com ele, cresce também a prevalência de doenças neurológicas crônico-degenerativas — em especial o Alzheimer e demais demências. Foi pensando nessa realidade que conduzi, ainda na minha formação em Demências e Doenças Neurocognitivas, um estudo sobre o cenário das internações e dos gastos em saúde por demências no Brasil.

O trabalho, publicado na Revista de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), traça um panorama epidemiológico da síndrome demencial no Sistema Único de Saúde e discute o impacto financeiro e assistencial das internações hospitalares por demência no país.

Leia o artigo completo publicado pela USP: Aspectos epidemiológicos e gastos em saúde por demências no Brasil.

O que o estudo mostrou

Trata-se de um estudo transversal, descritivo, de abordagem quantitativa, com dados do Ministério da Saúde referentes a 2018. Analisamos internações hospitalares por demências no SUS, considerando sexo, idade, valores pagos, dias de internação, número de óbitos e taxa de mortalidade.

Os números foram expressivos. Foram registradas 8.663 internações hospitalares por demências no Brasil naquele ano, com um gasto total superior a R$ 14,7 milhões em atendimentos. Houve ainda 275 óbitos e uma taxa de mortalidade de 9,51.

Esses valores, apesar de impactantes, refletem apenas parcialmente a realidade. A subnotificação é um problema real: nem todos os casos são registrados pelos profissionais e instituições, o que significa que o peso das demências no país tende a ser ainda maior do que os números oficiais sugerem.

Por que esse trabalho importa

Como neurologista, vejo no consultório o que as estatísticas confirmam: a demência é uma das principais causas de perda de autonomia e qualidade de vida entre idosos, e o Alzheimer é sua forma mais frequente. Mas o diagnóstico ainda chega tarde, muitas vezes já em estágios em que poucas intervenções podem modificar o curso da doença.

O estudo reforça um ponto central da minha prática clínica: o diagnóstico precoce muda tudo. Quando identificamos o Alzheimer e as demais demências no início, ampliamos as opções de tratamento, preservamos a cognição por mais tempo, adiamos a perda de funcionalidade e reduzimos os custos — hospitalares, familiares e sociais — associados a quadros avançados.

Demência não é parte normal do envelhecimento

Um dos equívocos mais comuns que encontro é confundir os primeiros sinais de declínio cognitivo com o “envelhecimento natural”. Esquecer uma palavra pontualmente é normal; apresentar um padrão progressivo de esquecimentos de eventos recentes, desorientação ou dificuldade em tarefas antes simples, não é.

Esse foi um dos motivos que me levaram a estudar o tema com profundidade — com pós-graduação em Demências e Doenças Neurocognitivas — e a manter, na clínica, o foco no diagnóstico precoce do Alzheimer, com testes cognitivos, biomarcadores no líquor e neuroimagem.

O caminho à frente

A pesquisa publicada pela USP aponta para a necessidade de incentivos a programas públicos voltados à síndrome demencial, com ênfase em diagnóstico adequado, tratamento e cuidados contínuos. A redução de custos no sistema de saúde passa, necessariamente, por investimento em detecção precoce e acompanhamento especializado — não em reagir à complicação.

Na prática clínica, em Itajaí e Balneário Camboriú — SC, é exatamente isso que busco oferecer: um acompanhamento neurológico que valoriza os primeiros sinais, faz o diagnóstico certo e constrói, com a família, um plano de cuidado individualizado.

Conclusão

A demência é um problema de saúde pública que cresce a cada ano no Brasil. Conhecê-la, medir seu impacto e investir em diagnóstico precoce são passos essenciais para mudar essa realidade. A pesquisa que publiquei pela USP é parte desse esforço — e o consultório, onde atendo meus pacientes, é onde esse conhecimento se transforma em cuidado concreto.

Se você ou alguém da família apresenta esquecimentos frequentes, desorientação ou mudanças de comportamento, não espere. A avaliação neurológica precoce é o primeiro passo para preservar a memória, a autonomia e a qualidade de vida.


Dr. Marcelo Zalli — Neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú · SC. CRM-SC 17333 | RQE 13326.

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  • As Histórias que a Memória Não Apaga — Contos sobre Alzheimer, memória, amor e os vínculos que permanecem.
  • Memory City — A técnica de memorização do Dr. Marcelo Zalli

Escrito e revisado por

Dr. Marcelo Zalli

Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326

Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas

Material educativo de auxílio a pacientes e familiares
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