Educação ao paciente

Nem toda perda de memória é Alzheimer

Demência não é sinônimo de Alzheimer. Conheça outros tipos — demência com corpos de Lewy, frontotemporal, vascular e hidrocefalia de pressão normal — e por que o diagnóstico correto muda a conduta.

Nem toda perda de memória é Alzheimer
MZ Dr. Marcelo ZalliNeurologista · CRM-SC 17333 | RQE 13326
7 min de leitura02 de setembro de 2026
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Quando uma pessoa começa a apresentar esquecimentos ou alterações cognitivas, é comum que a primeira suspeita seja Alzheimer. Mas demência não é sinônimo de doença de Alzheimer.

Alzheimer é a causa mais frequente de demência, mas existem outras doenças capazes de comprometer a memória, o comportamento, a linguagem, a atenção, a percepção e os movimentos. Entre elas estão a demência com corpos de Lewy, a demência frontotemporal, a demência vascular e a hidrocefalia de pressão normal.

E um ponto é fundamental: nem toda demência começa pela perda de memória.

A demência com corpos de Lewy pode apresentar alucinações visuais, oscilações da atenção e sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson. A demência frontotemporal frequentemente começa com mudanças marcantes de comportamento, personalidade ou linguagem. Já a demência vascular está relacionada a lesões cerebrovasculares e tem forte relação com fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e tabagismo.

Existe ainda a hidrocefalia de pressão normal (HPN), que pode combinar alterações da marcha, comprometimento cognitivo e alterações urinárias. É uma condição particularmente importante porque alguns pacientes adequadamente selecionados podem apresentar melhora com tratamento.

As histórias de personalidades ajudam a entender essas diferenças

Casos conhecidos do público mostram que diferentes doenças podem estar por trás do diagnóstico de “demência”.

Bruce Willis e Maurício Kubrusly foram diagnosticados com demência frontotemporal, uma doença que pode afetar profundamente comportamento e linguagem.

O ator Robin Williams tinha demência com corpos de Lewy, descoberta na autópsia após sua morte.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem diagnóstico de doença de Alzheimer.

Já o cantor e compositor Chico Buarque tornou público seu diagnóstico de hidrocefalia de pressão normal, condição que merece atenção por apresentar possibilidade de resposta ao tratamento em pacientes selecionados.

Mais recentemente, Lito Sousa, especialista em aviação e criador do canal Aviões e Músicas, foi diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob, uma doença priônica rara, de evolução rápida, capaz de provocar comprometimento cognitivo e alterações motoras.

Esses exemplos mostram por que não devemos usar a palavra “demência” como sinônimo de Alzheimer.

Cada doença possui mecanismos, sintomas, evolução e possibilidades terapêuticas diferentes.

O diagnóstico muda a conduta

Identificar corretamente a causa do comprometimento cognitivo é muito mais do que colocar um nome no diagnóstico.

O resultado pode modificar:

  • a escolha dos medicamentos;
  • o controle dos fatores de risco;
  • a necessidade de exames complementares;
  • a orientação da família;
  • o planejamento dos cuidados;
  • e as expectativas em relação à evolução da doença.

Hoje, avaliação clínica, testes cognitivos, exames de imagem e, em situações selecionadas, biomarcadores permitem uma investigação cada vez mais precisa.

A pergunta não deve ser apenas “é Alzheimer?”

Diante de uma alteração de memória, comportamento ou linguagem, a pergunta mais importante é:

“Qual é a causa desse comprometimento cognitivo?”

Reconhecer precocemente a doença permite estabelecer o diagnóstico adequado e construir uma estratégia de cuidado individualizada para o paciente e sua família.

Conhecer a doença é o primeiro passo para cuidar melhor.


Reportagem na VEJA SAÚDE — Este texto é baseado na matéria “Nem toda perda de memória é Alzheimer: conheça outros tipos de demência”, de autoria do Dr. Marcelo Zalli, publicada na VEJA SAÚDE em 2 de setembro de 2026, em parceria com a Brazil Health. Leia o artigo completo na VEJA SAÚDE.

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Escrito e revisado por

Dr. Marcelo Zalli

Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326

Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas

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