Exercícios cognitivos são muito importantes — assim como os exercícios físicos
Cérebro ativo e corpo ativo: por que o tratamento do Alzheimer precisa ir além de medicamentos. Entenda a importância da estimulação cognitiva, da atividade física regular e conheça o MEMO, plataforma de jogos cognitivos desenvolvida pelo Dr. Marcelo Zalli com neuropsicólogos.

Quando falamos em doença de Alzheimer e outras demências, existe uma orientação que considero fundamental: o cérebro precisa estar ativo, assim como o corpo precisa estar ativo.
Não devemos pensar no tratamento apenas como medicamentos e consultas. O cuidado precisa envolver diferentes estratégias: estimulação cognitiva, atividade física, socialização, alimentação adequada, sono e manutenção da funcionalidade.
A atividade física pode contribuir para a saúde geral, mobilidade, equilíbrio, força, autonomia e qualidade de vida. E, dentro das possibilidades de cada paciente, existem diversas opções.
Caminhada, exercícios de força, fisioterapia, Pilates, natação e hidroterapia podem fazer parte desse cuidado. A escolha depende das condições clínicas, do estágio da demência, da mobilidade, do equilíbrio e, principalmente, da segurança do paciente.
A fisioterapia pode ser especialmente importante para trabalhar força, equilíbrio, marcha, mobilidade e prevenção de quedas. O Pilates, quando indicado e supervisionado por profissional capacitado, pode contribuir para força, controle corporal, mobilidade e equilíbrio. A natação pode ser uma atividade prazerosa e uma forma de manter o corpo em movimento, desde que o paciente tenha condições de realizá-la com segurança e sempre com supervisão adequada. E a hidroterapia, realizada com acompanhamento profissional, pode ser uma excelente alternativa para alguns pacientes, especialmente quando precisamos trabalhar movimento, equilíbrio, força e mobilidade em um ambiente aquático.
Mas é importante lembrar: não existe uma atividade física ideal para todos. Existe aquela que é adequada para aquele paciente.
CÉREBRO ATIVO TODOS OS DIAS
O mesmo raciocínio vale para a cognição.
Quando o paciente está nas fases leve ou moderada e ainda consegue realizar determinadas atividades, eu costumo orientar que a estimulação cognitiva faça parte da rotina diária.
Não precisa ser algo longo ou complicado. Pode envolver memória, atenção, linguagem, raciocínio, orientação, leitura, música, jogos, fotografias, conversas, organização de objetos ou atividades do cotidiano.
O importante é estimular aquilo que a pessoa ainda consegue fazer.
E existe uma regra muito importante: não queremos transformar o exercício cognitivo em uma prova. Se a pessoa não lembrar, não devemos constrangê-la. Dê uma pista. Ajude. Mude a atividade.
O objetivo não é mostrar o que ela perdeu. É trabalhar aquilo que ela ainda possui.
Quando a família não consegue realizar esse trabalho sozinha, seja por falta de tempo ou por não saber exatamente quais atividades utilizar, uma estratégia interessante é procurar um profissional especializado em reabilitação ou estimulação cognitiva, como neuropsicólogo ou terapeuta ocupacional com experiência na área.
E É AQUI QUE ENTRA O MEMO
Ao longo da minha experiência acompanhando pacientes com alterações cognitivas, desenvolvi, junto com um grupo de neuropsicólogos, o MEMO, uma estratégia de estimulação cognitiva criada justamente com essa preocupação: trabalhar diferentes habilidades cognitivas de maneira estruturada, mas sem perder de vista a história, os interesses e as capacidades de cada pessoa.
Porque eu acredito que estimular o cérebro não significa simplesmente entregar uma folha cheia de exercícios. Precisa estimular, mas não pode gerar sofrimento.
O MEMO foi desenvolvido por um grupo de neuropsicólogos e pelo Dr. Marcelo Zalli e consiste em uma plataforma de jogos cognitivos, desenvolvida para estimular diferentes domínios cognitivos. A proposta é que o idoso possa realizar atividades direcionadas a diferentes habilidades, enquanto a inteligência artificial auxilia na sugestão dos exercícios, considerando o desempenho apresentado ao longo da utilização da plataforma e a evolução observada em cada domínio cognitivo.
Ou seja, não é simplesmente jogar por jogar. A ideia é criar uma experiência de estimulação cognitiva estruturada, individualizada e progressiva, respeitando as características e o desempenho de cada pessoa.
E o mais importante: o MEMO está disponível dentro do nosso portal, permitindo que a família tenha acesso a uma ferramenta de estimulação cognitiva dentro de um ambiente pensado para pessoas com demência e seus familiares.
O MAIS IMPORTANTE É A REGULARIDADE
Não adianta fazer uma atividade cognitiva extremamente sofisticada uma vez por mês.
Assim como o corpo precisa de movimento frequente, o cérebro também precisa ser estimulado regularmente.
Por isso, principalmente nas fases leves e moderadas, devemos pensar em uma rotina:
- Todos os dias, um pouco de estímulo cognitivo.
- Regularmente, atividade física.
- Contato social.
- Atividades significativas.
- Uma rotina organizada.
Não precisa ser perfeito. Precisa ser possível e constante.
CÉREBRO E CORPO TRABALHANDO JUNTOS
E existe algo que considero ainda mais interessante: muitas atividades podem estimular o corpo e o cérebro simultaneamente.
Caminhar conversando. Dançar uma música conhecida. Fazer movimentos seguindo comandos. Participar de uma atividade em grupo. Nadar. Realizar exercícios de equilíbrio prestando atenção aos comandos. Ou simplesmente sair para caminhar e conversar sobre aquilo que está ao redor.
Movimento, pensamento e interação social podem acontecer juntos.
E NAS FASES MAIS AVANÇADAS?
A estratégia muda.
Não devemos exigir do paciente aquilo que ele já não consegue realizar. Nas fases mais avançadas, o objetivo pode estar muito mais relacionado a conforto, interação, movimento, estímulos sensoriais, música, reconhecimento, participação e manutenção das capacidades funcionais possíveis.
Uma música conhecida. Uma conversa. Um passeio acompanhado. Movimentos simples. Uma atividade prazerosa. Fotografias. Objetos familiares.
Estimular também é cuidar.
E, nessa fase, talvez o maior erro seja transformar o estímulo em cobrança. Não queremos que o paciente prove que ainda consegue. Queremos que ele continue participando da vida da maneira que for possível.
UMA MENSAGEM PARA A FAMÍLIA
Se você cuida de uma pessoa com Alzheimer, não pense que precisa transformar sua casa em uma clínica.
Comece pequeno.
Uma caminhada. Uma música. Uma conversa. Uma atividade cognitiva. Uma aula de Pilates, quando indicada. Uma sessão de fisioterapia. Uma atividade na água. Um momento de natação ou hidroterapia, quando seguros e apropriados.
E faça disso uma rotina possível.
Quando a família não conseguir conduzir sozinha, procure profissionais especializados. Isso não significa que você não está fazendo o suficiente. Significa que você entendeu que o cuidado precisa ser individualizado e, muitas vezes, interdisciplinar.
CÉREBRO ATIVO. CORPO ATIVO. VIDA ATIVA.
Essa é uma mensagem que eu gostaria que toda família guardasse.
O paciente com demência não precisa ser colocado diante de uma sequência interminável de exercícios. Ele precisa continuar participando da vida.
Precisamos preservar o que ele ainda sabe fazer. Estimular o que ainda pode ser trabalhado. Adaptar aquilo que ficou difícil. E respeitar aquilo que a doença já modificou.
Porque nosso objetivo não é simplesmente fazer o paciente acertar exercícios. É ajudá-lo a permanecer funcional, participativo e conectado com as pessoas e com o mundo ao seu redor pelo maior tempo possível.
E, para isso, muitas vezes precisamos olhar para os dois lados: um cérebro que continua sendo estimulado e um corpo que continua sendo movimentado.
Dr. Marcelo Zalli — Médico Neurologista
IMPORTANTE
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação médica individual. O plano de estimulação cognitiva e atividade física deve ser definido de acordo com as condições clínicas de cada paciente, considerando o estágio da doença, comorbidades, mobilidade e segurança. Não inicie programas de exercício físico sem orientação profissional adequada.
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Escrito e revisado por
Dr. Marcelo Zalli
Neurologista · CRM-SC 17333 · RQE 13326
Pós-graduado em Demências e Doenças Neurodegenerativas
Agende consulta com o Dr. Marcelo Zalli, neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú — SC ou conheça mais o Dr. Marcelo Zalli, neurologista em Itajaí e Balneário Camboriú.
Consultório em Balneário Camboriú (Menara Medical Center — Ariribá) e em Itajaí (Petrus Centro Médico — Centro), no litoral de Santa Catarina.
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